Impressões a respeito do livro “Portões de Fogo: um romance épico sobre Leônidas e os 300 de Esparta

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O Romance é um convite interessantíssimo ao mundo grego antigo, especificamente à cultura espartana. Narra a história de um homem chamado Xeones que, após ver sua cidade dizimada por um exército inimigo, alista-se aos quatorze anos de idade no exército espartano a fim de vingar-se dos responsáveis pela destruição de sua cidade e morte de sua família. Apesar de pertencer a uma cidade-estado distinta de Esparta, Xeones adapta-se muito bem ao modo espartano e narra com detalhes o treinamento dispendido aos soldados e mais na frente suas estratégias e dramas de guerra. Além do aspecto bélico o autor preocupou-se em transmitir em sua obra o espírito daquele povo, sua cultura e valores. Traz exemplos de heróis honrados, dignos, que se sacrificam por sua cidade em uma demonstração de doação ao bem comum até o extremo.

Pressfield também traz algumas reflexões filosóficas a respeito do medo. Qual o contrário do medo? O personagem Dienekes passa boa parte do livro procurando resposta a essa pergunta. E não, o contrário do medo não é a coragem. A coragem é sentida mesmo com medo, um soldado se lança ao campo de batalha muitas vezes urinando de tanto medo, mas vai, isso é coragem. Mas o contrário do medo, a outra face, o autor mostra de forma brilhante. Não trarei aqui essa resposta para que não se perca o prazer de encontrá-la ao longo do livro.

“Portões de fogo” também traz algumas reflexões a respeito do papel da mulher na sociedade, principalmente a mulher espartana. Helena, de Tróia, personagem de Homero, era espartana e também a mulher mais bela do mundo. Mas as mulheres de Esparta não pintavam os seus rostos com maquiagens, nem enchiam seus pescoços de adornos, pedras preciosas, suas roupas eram extremamente simples. A beleza da mulher estava em sua saúde, sua postura e principalmente em sua coragem, seus princípios. Quando o rei Leônidas parte em direção a batalha final, ciente de que deixaria naquela oportunidade o mundo dos vivos, ovaciona as mulheres e diz que a coragem delas é muito maior do que a dos guerreiros que estão indo à guerra. Porque as mulheres despedem-se de seus maridos cientes que certamente eles não retornarão, cientes de que carregarão sozinhas o fardo da família e de que terão de viver a solidão da ausência de seu grande amor. Entregam o amor de suas vidas à cidade e por isso, sacrificam-se muito mais do que os homens.

[Tela: Léonidas aux Thermopyles. Artista: Jacques Louis David]

Quando o exército Persa se encaminha para a Hélade (que chamamos de Grécia), Leônidas convoca 300 guerreiros para o embate inicial. Ciente de que provavelmente todos morreriam, opta por um membro homem de cada família que tenha herdeiro para dar continuidade à linhagem. O critério para a escolha dos Trezentos parece um pouco aleatório aos olhos de muitos cidadãos, e assim o Rei explica para a esposa de um soldado como realizou essa escolha:

“... nunca direi a cidade porque escolhi esses Trezentos. Nunca contarei aos Trezentos. Mas contarei a você, agora. Escolhi-os não por seu valor pessoal, mas pelo valor de suas mulheres. Quando a batalha terminar, quando os Trezentos estiverem mortos, toda a Grécia se voltará para os espartanos, verá como resistiram. Mas para quem, senhora, os espartanos se voltarão? Para vocês. Para você esposas e mães, irmãs e filhas dos mortos. Se eles contemplarem seus corações dilacerados, partidos de dor, os deles também se partirão. E a Grécia com eles. Mas se vocês resistirem, não somente os olhos secos, à aflição da perda, mas desacatando a agonia e a abraçando como uma honra, o que ela é na verdade, então Esparta resistirá. E toda a Hélade a seguirá. Por que a escolhi para sofrer a mais terrível das provações, e escolhi suas irmãs dos Trezentos? Porque vocês podem.”

Esse livro é certamente uma pérola da nossa literatura atual. Recomendo a leitura bem como a pesquisa por vídeos de entrevistas do autor no Youtube. São muito boas! Vale a pena! É um excelente recurso para nos ambientarmos nesse mundo da Grécia Antiga!

Canal do autor no YouTube com diversos vídeos interessantes. Vale a pena se inscrever!

https://www.youtube.com/channel/UCUuZco7pCtIm8UvGm8dp8Yg

Entrevista realizada pela Professora Lúcia Helena Galvão com o autor Steven Pressfield. Essa entrevista diz respeito a outra obra do Pressfield chamada “A guerra de arte”, no entanto, ele fala um pouco a respeito do livro “Portões de fogo”:

Diálogo sobre o livro A GUERRA DA ARTE, de S. Pressfield. Áudios em português e inglês - SEM LEGENDA


PodCast a respeito do livro

Portões de Fogo - Steven Pressfield


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